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Designers brasileiros, conteúdos em outras língua

Designers brasileiros, conteúdos em outras língua

Porque grande parte dos designers brasileiros escrevem seus projetos e conteúdos apenas em inglês?

Primeiramente, não tenho a intenção de apontar dedos por isso não citarei nomes ou buscarei imagens para representar aquilo que lhes trago como uma crítica e uma reflexão a respeito da produção na área. pelos designers brasileiros.

Afinal, a carapuça já serviu em mim.


O que eu vejo

Ilustração de um olho amarelo em um fundo verde dando a alusão a bandeira do Brasil

Uma das coisas mais desconfortáveis que encontro dentro dos projetos de perfis brasileiros de designers é o fato de estarem escritos em muitos casos em inglês. O conteúdo de suas páginas, redes sociais e produções recentes escritos em inglês, mesmo que o artefato esteja todo em português foi feito para um cliente no Brasil, os comentários do autor estão em inglês. Até mesmo suas biografias e postagens pessoais estão em inglês.

Entendo o apelo e a necessidade pelo qual nossa área tem de se comunicar com todo o mundo (mesmo que esse TODO seja o limitado pelo acesso a interfaces, depois pelo acesso a internet e por último pela informação de que aquele local existe virtualmente), mas nada me tira da cabeça que, como designer no Brasil, a pessoa passou pela experiência da ausência.

Mesmo que seu público alvo tenha abrangência global.

Mesmo que trabalhe para uma multinacional.

Mesmo que não more no Brasil.

Esse texto é para você também.


O que eu sinto

Coração amarelo em um fundo verde dando trazendo a alusão da bandeira do Brasil.

Além de uma área elitista com cursos que beiram a insanidade nos preços e na carga horária, temos que nos manter cada dia mais próximos da história futura, nos adaptando a espaços ainda não criados a fim de não nos tornarmos obsoletos, mantendo a relevância como influencers dentro de uma área que não necessariamente deveria cobrar tal postura.

Mas nada me faz entender como que aqueles que viveram esse caos diário não se preocupam em tornar o conhecimento acessível para seus colegas do próprio país.
Talvez se esqueçam de que antes desse relativo espaço confortável que obviamente demandou muito esforço para a maioria, precisaram correr atrás de livros que não se se encontram mais disponíveis fisicamente ou quando achamos estão mais caros que um curso de pós graduação em uma universidade particular.

Com a maior parte da bibliografia referencial ainda não traduzida (embora o esforço homérico de muitos acadêmicos de nossa área), ainda temos que enfrentar a barreira cultural de aprendermos com o conteúdo sendo a maior parte em inglês. Num Brasil onde menos de 5% tem algum nível de conhecimento do mesmo e sendo apenas 1% dessa porcentagem fluente.

Seguimos então um ciclo absurdo onde, superamos essas barreiras que outras pessoas de dentro e fora do país nos impõe e o alimentamos fazendo com que novos ingressantes na área sofram o mesmo, sem que haja o mínimo de reflexão sobre o que fazemos e porque o fazemos desse modo.

Dessa forma, vamos usar esse pequeno artigo para refletir porque escrevemos artigos em inglês sem o fazer em português primeiramente.


Alguns podem até falar:

“ Joga no tradutor.”

“Aproveita para aprender inglês.”

Porém, esse tipo de cobrança vir de alguém que nasceu e viveu/vive a realidade no Brasil é tudo, menos Design.
Afinal, independente da sua área de atuação ou mesmo se já atua no mercado ou não, todos os dias é limitado pela forma como alcança a informação. Mesmo que tenha qualquer conhecimento da língua, consumir um conteúdo que não de sua língua nativa pode chegar a consumir muito mais energia e tempo.


O que eu faço

Um dos trabalhos mais intrigantes que possuo dentro da minha área é compartilhar conhecimento. Como podemos fazer com que todos tenham o mesmo acesso a conteúdos essenciais para nossa construção como designers sem manter o elitismo quase inerente nos materiais é a pergunta que mais me faço ultimamente.

Não cobro que designers leiam artigos e livros densos em prol de uma busca quase acadêmica pelo entendimento teórico sobre nossa área mas busco minimamente sanar um buraco que vejo todo os dias dentro de nossos projetos. O senso crítico e social que deve permear nossas decisões.

Por trás de todo artefato existe a necessidade de uma gama de pessoas que precisa ser atendida não para que o mesmo atinja níveis convenientes de venda mas para que atenda as pessoas que o consumirem de forma satisfatória sem que haja uma lacuna entre a necessidade e o ato.

Designers brasileiros que divulgam processos, projetos e até mesmo técnicas em softwares em outras línguas corroboram com esse buraco crítico dentro do nosso próprio país. Não estou aqui para defender um projeto nacionalista, mesmo que a crítica quando vista de forma desavisada possa parecer uma defesa pela nação e contra o anglicanismo.

Porém, quando pensamos em nossa vivência e sociedade não podemos apenas ignorar o caos em que vivemos, buscando apenas uma construção profissional com viés global mas, de forma crítica, produzir pensando além dos clientes estrangeiros que buscamos captar.

Podemos produzir pensando nos profissionais que podem nos usar como referência e, através da divulgação de projetos, artigos e até mesmo livros, possamos construir um país melhor para nossa família e amigos através do conhecimento.

O mesmo material que um Brasileiro produz em inglês (ou outra língua) pode ser produzido em português também. O trabalho pode dobrar mas o impacto cultural pode ser muito mais significativo do que imaginam.


Este foi o artigo de hoje <3 não se esqueçam de acompanhar nosso instagram @creativestop_blog e dar uma olhada na ultima publicação da @livialiv sobre o livro Como mentir com estatística.

About author

Designer, tipógrafo, ativista, anarquista e fã #1 de Hemingway.
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